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A luta contra o imperialismo na América Latina e o Kimilsungismo-Kimjongilismo





Este artigo foi redigido especialmente para o Seminário Internacional de Kimilsungismo-Kimjongilismo realizado em abril deste ano em comemoração ao natalício de Kim Il Sung.


A luta contra o imperialismo na América Latina e o Kimilsungismo-Kimjongilismo


Neste artigo abordarei alguns aspectos da atual fase da luta anti-imperialista na América Latina, especialmente no Brasil, à luz do Kimilsungismo-Kimjonglismo, bem como tentarei rapidamente substanciar a importância dos movimentos revolucionários em nosso continente que se desenvolvem com uma correta compreensão do socialismo científico como sua orientação. Nos últimos anos, os povos dos países da América Latina travaram uma dura e decisiva batalha contra o imperialismo. Ao longo da história, esta luta tem se manifestado de várias maneiras, seja através da luta armada, luta de massa ou luta eleitoral, tendo alcançado um novo nível de qualidade no início do novo milênio. O governo bolivariano de Hugo Chávez na Venezuela, que começou em 1999, deu um novo impulso às lutas das massas populares em busca de sua independência em nosso continente, em um momento delicado da luta de classes internacional, onde as forças revolucionárias ainda sentiam o peso da grande derrota sofrida com a dissolução da União Soviética e dos países socialistas do Leste Europeu. A vitória eleitoral das forças democráticas e populares na Venezuela foi seguida por vitórias em países como Brasil, Bolívia, Equador, Nicarágua, Honduras, Paraguai, etc., iniciando uma nova onda de mudanças no continente.


Cuba também continuou a resistir corajosamente às ofensivas do imperialismo norte-americano e continuou a hastear a bandeira vermelha do socialismo. É importante salientar que existem muitas diferenças entre todos esses governos, diferenças de ideologia, de programas, de nível de radicalismo das transformações realizadas em cada um deles, mas em geral podemos dizer que todos eles refletiram o desejo de mudança dos povos latino-americanos e a conquista da independência. Obviamente, todas estas mudanças na correlação de forças em nosso continente não agradaram ao imperialismo americano e a seus representantes locais. As forças reacionárias, especialmente a burguesia comprador-imperialista, desde o início começaram a conspirar para derrubar esses novos governos populares, obtendo algum sucesso nos casos de Honduras, Paraguai, Brasil, Bolívia e Equador. No caso do Brasil, para citar um exemplo, foi evidente a estreita colaboração entre elementos do judiciário (uma instituição essencialmente reacionária e pró-imperialista) com instituições norte-americanas.


O imperialismo norte-americano interferiu descaradamente nos assuntos internos do Brasil, chegando ao ponto de colocar o telefone presidencial de Dilma Rousseff sob escuta. No Brasil, em 2013, quando as manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus nas grandes cidades, as forças reacionárias não perderam tempo em infiltrar-se e imediatamente tentaram redirecioná-las especificamente contra o governo do Partido dos Trabalhadores e a figura da presidente Dilma Rousseff. Logo, estas manifestações começaram a assumir um caráter abertamente reacionário, no qual o componente anticomunista foi particularmente pronunciado. Este movimento culminou com o impeachment de Dilma Rousseff e contribuiu para a ascensão ao poder de Bolsonaro e seu grupo fascista. O fato de grupos reacionários se terem infiltrado e mudado o caráter dos movimentos com relativa facilidade demonstra claramente as graves deficiências organizacionais e ideológicas das organizações políticas da esquerda brasileira, um fenômeno que precisa ser superado se quisermos dar um salto qualitativo nas lutas. Um dos principais problemas a ser enfrentado é a falta de clareza ideológica sobre o que é o socialismo e quais são os caminhos concretos a seguir a fim de iniciar a transição para o socialismo em nosso país. Em seu trabalho O socialismo é uma ciência, o camarada Kim Jong Il afirmou que "Para realizar o socialismo, é indispensável preparar forças revolucionárias capazes de assumir e realizar esta tarefa, e adotar métodos corretos de luta. Caso contrário, a demanda independente das massas do povo que aspiram ao socialismo não será mais do que um mero desejo".


A preparação das forças revolucionárias requer a compreensão de uma ideologia correta e a construção de uma organização capaz de realizar o programa político das massas populares em sua luta pela independência. Esta força política não pode ser outra senão o partido da classe trabalhadora. O grupo da classe trabalhadora, sendo o Estado Maior da revolução, armado com uma ideologia correta, será capaz de orientar as massas em todas as etapas da luta, seja em situações em que retiros estratégicos são necessários, seja em momentos da ofensiva da revolução. Como Kim Jong Il declarou em Problemas Essenciais da Construção do Partido Revolucionário: "A história da luta pelo socialismo pode ser dita como a história da construção do partido da classe trabalhadora e suas atividades. "Toda essa batalha sangrenta que a classe trabalhadora e outras massas populares têm travado mostra que tanto a chave da vitória quanto as causas do fracasso estão na construção do partido e de suas atividades". Por que motivos o movimento operário e revolucionário de nosso continente, mesmo depois de quase um século desde o início da luta consciente do proletariado (no caso do Brasil, o primeiro partido revolucionário da classe trabalhadora foi fundado em março de 1922), não foi capaz de conquistar uma vitória decisiva contra o inimigo de classe e as forças do imperialismo? Além da resistência ativa por parte das classes dirigentes reacionárias, vários conceitos errôneos circularam - e continuam a circular - também em nosso campo, o que dificulta o avanço de nossas revoluções. Os desvios da direita e da "esquerda" marcaram negativamente o desenvolvimento da luta revolucionária, por isso devemos ter uma compreensão correta dos elementos que permitem que estes problemas surjam e se desenvolvam.


Também em O Socialismo é Ciência Kim Jong Il, que aponta que atualmente "os renegados do socialismo, enganados pelo capitalismo e depositando suas esperanças na 'ajuda' e na 'cooperação' dos imperialistas, estão liderando uma campanha confusa para um retorno ao socialismo. A história mostra que esperar pela 'boa vontade' dos exploradores ou pela "colaboração entre as classes" é levar a revolução ao fracasso". Neste trecho, o camarada Kim Jong Il chama a atenção para a necessidade de uma luta ideológica determinada contra todo tipo de ideologia destinada a semear ilusões sobre aqueles que são, de fato, o principal alvo da luta revolucionária: o imperialismo e o sistema capitalista. Em todos os países onde o movimento popular sofreu recentemente pesadas derrotas, se investigarmos as razões de tais derrotas, podemos identificar que neles todas as suas lideranças, em maior ou menor grau, foram enganadas, seja com o imperialismo ou com as instituições reacionárias do Estado de seus respectivos países. Mais uma vez, está provado que as classes reacionárias não deixarão o poder de sua livre vontade e que, à mínima mudança de caráter progressista, elas se organizarão para impor derrotas e esmagar os movimentos democráticos, populares e revolucionários que possam se desenvolver em nosso continente.


Mais recentemente, em alguns países latino-americanos que sofreram processos golpistas, as forças democráticas e anti-imperialistas estão recuperando certas posições que haviam perdido, sendo a Bolívia um dos casos mais exemplares. Desde o golpe de Estado contra o presidente Evo Morales, o povo boliviano tem colocado uma resistência determinada aos golpistas imperialistas, o que resultou na importante vitória eleitoral que conquistaram nas últimas eleições presidenciais. A Venezuela, permanentemente assediada pelo imperialismo, continua a mostrar uma capacidade de resistência diante das pressões imperialistas que deve ser bem recebida por todos nós. No Equador, as forças progressistas também têm uma boa chance de recuperar certas posições perdidas no último período. No Brasil, embora continuemos a viver em uma situação extremamente desfavorável, agravada pela pandemia do coronavírus, o povo começa a dar sinais de grande descontentamento com a administração fascista do grupo de Bolsonaro, e as forças democráticas e progressistas estão novamente ganhando vitórias parciais (mas importantes), como a recente anulação das condenações de Lula e a suspeita do juiz pró-imperialista que liderou a perseguição contra o ex-presidente.


Todos estes desenvolvimentos, embora muito importantes, não podem servir de desculpa para baixarmos nossa guarda diante das ofensivas imperialistas. Seria uma ilusão gigantesca acreditar que os imperialistas e as forças compradoras e pró-imperialistas em nosso continente tenham promovido golpes de Estado para que a esquerda, as forças democráticas e progressistas possam tão facilmente reconquistar suas posições. Portanto, é necessário que continuemos a observar a situação com cautela. A luta pela conquista da independência é uma luta que se desenvolve de acordo com a realidade concreta de cada país, mas que ao mesmo tempo tem um caráter internacional. A luta revolucionária do povo brasileiro está intimamente ligada à luta revolucionária das massas populares na Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina e em todos os países da América Latina. Da mesma forma, a luta revolucionária do povo latino-americano está profundamente ligada à luta revolucionária dos povos da África e da Ásia. Os países do Terceiro Mundo são uma força importante na luta contra o imperialismo, portanto, todas as nossas lutas estão intimamente ligadas. A República Popular Democrática da Coréia, um país que ainda está no caminho vitorioso do socialismo, representa uma força extremamente importante, que apóia e inspira as lutas dos povos para conquistar sua independência nacional e social. Saudamos todas as vitórias conquistadas pelo socialismo coreano como se fossem nossas, porque estamos plenamente conscientes de que o fortalecimento da RPDC como um país socialista poderoso e próspero fortalece as posições do socialismo em nível mundial, num momento em que ainda lutamos para sair da situação de defensiva estratégica imposta pela dissolução da União Soviética e pelo desaparecimento dos países socialistas. Saudamos o povo coreano, o Partido dos Trabalhadores da Coréia e o camarada Kim Jong Un pelas importantes vitórias e resultados alcançados durante a luta contra a pandemia do coronavírus, reconhecendo que foi precisamente a RPDC que obteve os melhores resultados na luta contra o vírus, demonstrando a superioridade do sistema socialista.


Gabriel Martinez - Centro de Estudos da Ideia Juche do Brasil