Revista "Pesquisa Econômica" - Sobre o trabalho intelectual e a criação de valor e mais-valia por meio dele
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Sobre o trabalho intelectual e a criação de valor e mais-valia por meio dele
Jang Sang Jun, doutor em economia
A opressão e a exploração das massas trabalhadoras são a essência do capitalismo, e o fortalecimento dessa exploração constitui o próprio modo de existência e desenvolvimento do capitalismo.
Enquanto o capitalismo existir, não poderá haver eliminação da opressão e exploração das massas trabalhadoras; e, à medida que o capital se expande, a exploração sobre os trabalhadores se intensifica inevitavelmente.
O grande dirigente camarada Kim Jong Il esclareceu de forma nova e original que, ao entrar no século XXI, na era da indústria da informação, ocorreram novas transformações na exploração do capital sobre o trabalho assalariado.
O grande dirigente camarada Kim Jong Il afirmou o seguinte:
“Nos países capitalistas desenvolvidos, com o avanço da mecanização e da automação da produção em decorrência do desenvolvimento tecnológico, o número de trabalhadores envolvidos no trabalho físico diminuiu acentuadamente, enquanto as fileiras dos trabalhadores envolvidos em tecnologia e trabalho intelectual aumentaram rapidamente, passando eles a ocupar uma posição esmagadora dentro da classe trabalhadora.” (Obras Escolhidas de Kim Jong Il, vol. 33)
Na era da indústria da informação, a proporção do trabalho físico empregado na criação de riqueza material diminui, enquanto a proporção do trabalho intelectual aumenta.
O grande general apresentou pela primeira vez um novo conceito: o de trabalho intelectual como uma forma do trabalho humano.
Para compreender corretamente o trabalho intelectual, é necessário antes entender como, no passado, o trabalho humano era geralmente distinguido entre trabalho físico e trabalho mental.
No passado, o trabalho era entendido como o processo de dispêndio da força de trabalho humana, considerando-se que esse trabalho era composto pelos elementos do esforço físico e do esforço mental do homem. Assim, entendia-se que o processo de dispêndio do esforço físico correspondia ao trabalho físico, enquanto o processo de dispêndio do esforço mental correspondia ao trabalho mental.
Naturalmente, essa concepção não pode ser considerada inteiramente incorreta.
Entretanto, como processo de dispêndio da força de trabalho, o trabalho jamais pode ocorrer apenas por meio do esforço físico ou apenas pelo esforço mental.
Em outras palavras, não existe trabalho físico sem qualquer consumo de capacidade intelectual, nem trabalho mental sem qualquer consumo de força física.
Todo trabalho realizado pelo homem para transformar a natureza ocorre mediante a combinação, em certo grau, de esforços físicos e mentais. Não importa se se trata de um trabalho simples ou complexo; há diferenças apenas de grau, pois o processo de trabalho sempre envolve a combinação do esforço físico e do esforço mental.
A distinção entre trabalho físico e trabalho mental baseia-se, portanto, em qual dos dois aspectos — esforço físico ou esforço mental — exerce o papel predominante.
Em outras palavras, quando no processo de trabalho predomina o dispêndio de esforço físico, trata-se de trabalho físico; quando predomina o dispêndio de esforço mental, trata-se de trabalho mental.
Historicamente, ao observarmos o trabalho físico, vemos que ele desempenhava principalmente três funções: força motriz, operação e controle.
Com a transformação dos processos produtivos da riqueza material, o peso do trabalho mental foi aumentando gradualmente. Quando o trabalho físico realizava principalmente funções de força motriz e operação, o dispêndio de esforço mental — isto é, o trabalho mental — ainda ocupava uma proporção relativamente pequena.
Porém, quando o trabalho físico passou a desempenhar sobretudo funções de controle, a proporção do trabalho mental aumentou muito em comparação com períodos anteriores. Isso está relacionado ao fato de que os meios de trabalho dos quais o trabalho físico depende são meios técnicos.
À medida que a criatividade humana cresce enormemente e os instrumentos de trabalho se desenvolvem com base na ciência e na tecnologia modernas, na produção da riqueza material a proporção do trabalho físico diminui, enquanto o trabalho mental passa a ocupar a posição predominante. Em especial, com a introdução generalizada de meios de trabalho informatizados e inteligentes na produção, essa proporção do trabalho mental aumenta abruptamente. Na era da indústria da informação, a riqueza material passa a ser criada por meio do trabalho baseado no conhecimento científico e tecnológico.
Pode-se chamar de trabalho intelectual o trabalho realizado com base em conhecimento científico e tecnológico. Em última instância, o trabalho intelectual é o processo pelo qual o homem utiliza sua capacidade intelectual para transformar a natureza; dito de outro modo, é o processo de consumo da capacidade intelectual.
Na produção da riqueza material, dizer que o dispêndio do esforço mental ocupa a posição fundamental significa justamente que o trabalho intelectual se torna predominante.
A característica do trabalho intelectual na era da indústria da informação é que ele é um trabalho de alto nível, garantido por elevado conhecimento científico e tecnológico.
Ou seja, o trabalho intelectual realizado por aqueles que receberam educação superior especializada tem como fonte o conhecimento intelectual do homem. Essa capacidade intelectual pode ser desenvolvida pela experiência adquirida no processo produtivo, mas também pode ser cultivada por meio da educação e da formação baseadas na ciência e na tecnologia.
Mesmo na era da indústria mecanizada, havia participação parcial do trabalho intelectual, mas, naquele período, o trabalho intelectual baseava-se sobretudo em conhecimentos técnicos obtidos empiricamente no processo produtivo.
As grandes revoluções científico-tecnológicas da era da indústria mecanizada, como a invenção do motor a vapor, da eletricidade e do motor de combustão interna, foram alcançadas por meio de descobertas e experimentos científicos. Evidentemente, essas invenções contribuíram enormemente para o desenvolvimento da humanidade e da civilização contemporânea, mas o trabalho intelectual que as produziu ainda era de nível relativamente baixo.
A capacidade intelectual desenvolvida com base no conhecimento científico é muito mais elevada do que aquela desenvolvida apenas por conhecimento empírico ou técnico. O trabalho intelectual na era da indústria da informação é precisamente um trabalho intelectual de alto nível garantido por tal conhecimento científico.
Hoje, a maior parte dos trabalhadores que produzem riqueza material utilizando equipamentos informacionais são trabalhadores intelectuais formados por educação superior especializada. É por meio desse trabalho intelectual que se criam valor e mais-valia nas empresas capitalistas.
Naturalmente, Marx também afirmou em O Capital que o trabalho complexo cria, na mesma unidade de tempo, múltiplas vezes mais valor do que o trabalho simples.
Contudo, o critério segundo o qual o trabalho complexo cria múltiplas vezes mais valor do que o trabalho simples baseava-se na magnitude do valor da força de trabalho, reconhecendo-se que, como a formação da capacidade intelectual necessária aos trabalhadores do trabalho complexo exige maiores custos, o valor da força de trabalho desses trabalhadores é superior ao dos trabalhadores do trabalho simples. Em condições em que a capacidade intelectual dos trabalhadores ainda não era elevada, era razoável determinar a capacidade de criação de valor do trabalho proporcionalmente ao valor da força de trabalho.
Porém, hoje, a capacidade de criação de valor do trabalho intelectual, garantida por elevado conhecimento científico, alcançou um nível em que pode criar valor em escala incomparavelmente maior do que nos períodos anteriores.
O fato de o trabalho intelectual contemporâneo possuir tão grande capacidade de criação de valor pode ser explicado em relação ao papel da ciência e da tecnologia na produção da riqueza material.
Na produção da riqueza material, a ciência e a tecnologia exercem um papel cada vez maior à medida que se desenvolvem.
A era da indústria da informação é uma era em que ciência, tecnologia, economia e sociedade se encontram estreitamente integradas em processos científico-tecnológicos. Por meio da ciência e da tecnologia são produzidas grandes quantidades de riqueza material e criado valor. Além disso, quando tecnologias avançadas são desenvolvidas e introduzidas na produção, é possível criar ainda mais valor.
Desenvolver novas tecnologias e aplicá-las à produção só pode ser realizado pelo trabalho intelectual. Como os trabalhadores intelectuais possuem elevado conhecimento científico, podem desenvolver e utilizar a ciência e a tecnologia de forma eficaz por meio do trabalho intelectual.
Hoje, os meios informacionais que constituem o conjunto da ciência e da tecnologia são meios de trabalho altamente eficientes na produção de riqueza material.
Por meio do trabalho intelectual, esses meios de trabalho podem ser desenvolvidos ativamente e utilizados eficazmente, permitindo a criação de grande quantidade de valor ao longo do processo produtivo. Não há limites para o papel da ciência e da tecnologia no desenvolvimento da produção. À medida que a sociedade avança, a ciência e a tecnologia se desenvolvem incessantemente, e o desenvolvimento produtivo pode acelerar ainda mais graças a esse progresso científico-tecnológico.
Hoje, o trabalho intelectual da era da indústria da informação exerce papel ilimitado na criação de valor por meio da ciência e da tecnologia. Comparado ao trabalho baseado apenas na experiência, ele é capaz de criar uma quantidade enormemente maior de valor.
Na medida em que o trabalho intelectual pode criar valor muito superior ao valor de sua própria força de trabalho, ele também pode proporcionar aos capitalistas lucros ainda maiores por meio da exploração.
Além disso, o trabalho intelectual torna-se objeto de exploração “capaz” para os capitalistas, pois faz aumentar mais rapidamente a taxa de mais-valia dentro do novo valor criado.
O trabalho intelectual cria mais valor novo e, por isso mesmo, produz também mais mais-valia.
Em geral, como trabalho produtor de mercadorias, o trabalho possui a propriedade de criar mais valor do que o valor da própria força de trabalho, e é justamente daí que surge a mais-valia no processo de trabalho. Contudo, a taxa de crescimento do novo valor criado e a taxa de crescimento da mais-valia não coincidem.
A taxa de crescimento da mais-valia recebe influência distinta de diversos outros fatores além da taxa de crescimento do novo valor.
Em geral, a magnitude da mais-valia depende tanto da quantidade de novo valor criado quanto da proporção em que esse novo valor se divide entre remuneração da força de trabalho e parcela de mais-valia. Quanto menor for a parcela correspondente à remuneração da força de trabalho em relação ao novo valor criado, maior será a mais-valia.
Na sociedade capitalista, quando o trabalho intelectual é explorado, a taxa de crescimento da mais-valia aumenta mais rapidamente do que a taxa de crescimento do novo valor criado.
Isso ocorre, em primeiro lugar, porque o novo valor criado pelo trabalho intelectual, em relação ao valor da força de trabalho, é maior do que no caso do trabalho físico.
Por exemplo, se no caso do trabalho físico o novo valor criado for o dobro do valor da força de trabalho, no caso do trabalho intelectual ele pode chegar a cinco vezes ou mais. Quanto maior for o novo valor criado em relação ao valor da força de trabalho, maior será também a parcela da mais-valia dentro da composição do novo valor criado.
Se o valor da força de trabalho for 50 e o novo valor criado for 100, então, na composição desse novo valor, a remuneração da força de trabalho e a mais-valia corresponderão cada uma a 50:50.
Porém, se o valor da força de trabalho for 100 e o novo valor criado for 500, então, na composição do novo valor, a remuneração da força de trabalho será 100 e a mais-valia será 400. A proporção entre ambas passa de 1:1 para 1:4. Isso mostra que, embora o valor da força de trabalho do trabalhador intelectual seja superior ao do trabalhador físico, a quantidade de mais-valia apropriada pelo capitalista é ainda maior.
Quanto mais elevado for o nível qualitativo do trabalho intelectual e o grau de intelectualização do trabalho, mais rapidamente aumenta o novo valor criado em relação ao valor da força de trabalho e, consequentemente, maior se torna a taxa de mais-valia apropriada pelos capitalistas.
É por isso que, hoje, nos países capitalistas, os capitalistas realizam vigorosamente estratégias de desenvolvimento de talentos para monopolizar pessoas altamente capacitadas.
O fato de que, no caso do trabalho intelectual, a taxa de crescimento da mais-valia seja maior do que a taxa de crescimento do novo valor criado está relacionado à ampliação e prolongamento dos limites do tempo de trabalho do trabalhador intelectual.
Os trabalhadores assalariados que realizam trabalho físico são empregados pelos capitalistas e compelidos a trabalhar dentro de limites definidos ao longo do dia. Depois de terminado o horário de trabalho e retornando para casa, esse tempo passa a ser utilizado apenas para a reprodução da força de trabalho.
Porém, os trabalhadores intelectuais, envolvidos em atividades que exigem elevada capacidade intelectual, como o desenvolvimento de novas tecnologias científicas, não podem interromper suas atividades mentais simplesmente ao voltar para casa.
Especialmente hoje, em condições em que os capitalistas exigem intensa competição científica e tecnológica para derrotar concorrentes, eles forçam os trabalhadores intelectuais a realizar tarefas em curtos períodos de tempo, fazendo com que seu tempo de trabalho se expanda quase ao ponto de invadir as 24 horas do dia. É justamente por isso que entre trabalhadores intelectuais aparecem muitos casos de doenças causadas por fadiga e esgotamento mental.
Naturalmente, com o prolongamento do tempo de trabalho, o valor da força de trabalho também aumenta relativamente e os salários podem subir. Contudo, o novo valor criado aumenta ainda mais rapidamente do que o crescimento do valor da força de trabalho. Isso significa que a mais-valia cresce mais rapidamente do que o novo valor criado em relação ao crescimento do valor da força de trabalho.
O fato de que, quando o trabalho intelectual se torna objeto de exploração, mais mais-valia é criada demonstra que a taxa de exploração do trabalho intelectual é incomparavelmente maior do que a taxa de exploração do trabalho físico.
O fato de que uma enorme quantidade de mais-valia é criada por meio da exploração do trabalho intelectual aparece claramente nas taxas de lucro de determinados setores da indústria da informação e do mercado de software dos Estados Unidos.
Em 1999, a taxa anual de lucro de uma determinada empresa norte-americana produtora e vendedora de programas “4.4 Version” foi nada menos que 25,5 vezes superior à taxa de lucro do setor automotivo.
O desenvolvimento de programas é realizado principalmente por trabalhadores intelectuais, enquanto os trabalhadores das fábricas automobilísticas dedicam-se sobretudo ao trabalho físico. Isso comprova que a capacidade do trabalho intelectual de criar mais-valia é incomparavelmente superior à do trabalho físico.
Todos esses fatos mostram que, na era da indústria da informação, o trabalho intelectual tornou-se o principal objeto de exploração e que o grau de exploração do capital sobre o trabalho assalariado tornou-se mais elevado do que na era da indústria mecanizada, intensificando-se ainda mais com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia.
Publicado originalmente na revista coreana Pesquisa Econômica, nº 3, 2003.
A tradução publicada por este blog não é oficial. Quaisquer erros são de responsabilidade exclusiva dos editores.




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