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Fundamentos da Ideia Juche



Manuel Agustin Aguirre*


É impossível em uma curta apresentação apresentar mesmo um resumo das contribuições ao Marxismo-Leninismo feitas pelo Presidente Kim Sung, eminente teórico, chefe de estado e heróico lutador pela independência e reunificação de seu país, que teve que ser realizada desafiando as manobras violentas dos imperialistas estadunidenses e seus subordinados, tais como os fascistas militaristas japoneses. Aqui eu gostaria de enfatizar apenas alguns aspectos da concepção do Kimilsungismo expressas na Ideia Juche.


Em primeiro lugar, eu devo lembrar que sua concepção de Marxismo-Leninismo não é uma coleção de prescrições revolucionárias feitas de uma vez por todas, mas um guia para a ação e uma ciência, ou seja, um Marxismo criativo, que deve ser aplicado de acordo com as condições concretas de cada país de maneira, não como dogmatismo e transplantação mecânica, mas com um espírito independente e criativo. Para nós, que estamos por anos apoiando a necessidade de aplicar o Marxismo de acordo com a realidade da América Latina e do Equador, o que chamamos de “latino-americanização do Marxismo”, no sentido de que este deve ser aplicado de modo criativo às nossas distintas realidades, algo que foi feito por Mariátegui, Anibal Ponce e muitos outros. Portanto, estamos bastante satisfeitos com as teses que constituem a essência da Ideia Juche.


A derrota relativa da revolução na América Latina é grandemente atribuída a falta de teoria que corresponda corretamente as condições de nossos países. Não há necessidade de dependermos, como geralmente é feito, no arsenal e conjunto de frases e citações que não dão soluções aos problemas concretos do processo revolucionário em cada momento histórico de acordo com as condições de cada país. Um estudo do processo revolucionário na América Latina e, mais concretamente, o atual caso chileno, por exemplo, nós leva a afirmar que uma das causas de seu fracasso está na falta de criatividade teórica ao guiar as massas nos momentos decisivos, o que os deixou desarmados em todos os sentidos. Aqui está precisamente o grande valor instrutivo da experiência coreana e da Ideia Juche, que nasceu e se desenvolveu na prática da luta revolucionária e na aplicação criativa do Marxismo-Leninismo à realidade coreana, sem ignorar, é claro, a experiência revolucionária de outros países. Aqui está a grandeza do grande Líder Camarada Kim Il Sung.


Outro aspecto importante da ideia Juche é que esse pensamento, amplificando as teses Marxistas sobre a libertação do homem do trabalho e luta, considera o homem como a base e o centro de toda as transformações revolucionárias e sociais. É um erro interpretar não prestando a devida importância aos trabalhadores, o principal elemento das forças produtivas, destacando apenas os objetos e meios de trabalho, especialmente os instrumentos e maquinas, mais do que o seu real criador, que é o homem.


Com a Ideia Juche os norte-coreanos criaram sua própria técnica, pela qual eles estão obtendo incríveis sucessos, tais como a produção de vinalon a partir da antracita e do calcário, ou mesmo a produção de ferro e fertilizantes usando antracita.


Diferente do que ocorre nos países capitalistas, a técnica não deve servir para a dominação e exploração dos capitalistas e das nações umas pelas outras, não como um instrumento de destruição e massacre; esta deve servir para libertar o homem dos trabalhos pesados e árduos, eliminando as diferenças entre o trabalho industrial e agrícola, entre o homem e a mulher escravizada, entre o trabalho físico e o trabalho mental. Em outras palavras, o desenvolvimento técnico deve servir como forma de garantir a libertação, a independência e a criação dos seres humanos em todas as suas manifestações.


Aqueles que interpretaram mecanicamente a fórmula Marxista da estrutura e superestrutura, consideraram que o primário, a economia, determina o secundário, os aspectos políticos, jurídicos e ideológicas, de uma maneira linear e direta, algo que Engels já havia elucidado em sua carta a Bloch.


O mérito da Ideia Juche do camarada Kim Il Sung é que ela clarifica de maneira nova a relação dialética entre a base e a superestrutura, prestando atenção apropriada aos aspectos políticos e aos aspectos ideológicos em particular, na formação do homem no processo revolucionário, bem como na construção socialista e comunista, porque o comunismo não pode ser construído enquanto permanecem os remanescentes da sociedade de classes. Colocar o homem no centro dos problemas e dar a sua consciência relativa independência da forma material permite que o homem atue com uma avançada ideologia, uma consciente e bem dirigida atividade que transforma o homem no “mais precioso e poderoso ser no mundo”.


No tratamento da luta de classes e sua mais elevada expressão, a revolução contemporânea, o Presidente Kim Il Sung fez uma contribuição realmente original ao compreender que as classes, os partidos políticos e as organizações sociais, tais como os sindicatos, eram considerados como sujeitos da luta revolucionária, enquanto se negava o homem particular, um indivíduo e ser vivo concreto, que forma parte dela (luta revolucionária) e cuja formação ideológica é indispensável para impedi-los da vacilação e que caiam vitimas da influência burguesa que penetra todos os poros da sociedade. É errado pensar que somente alguns poucos são qualificados para serem quadros revolucionários, de modo que todos os membros do partido podem vir a ser através da educação ideológica constante, que irá converte-los em elementos treinados e preparados para a revolução.


Outra característica da Ideia Juche é que os verdadeiros donos e criadores da revolução são as massas populares, em particular os homens que as constituem. Este engendra as posições independentes e criativas como critério e método para a transformação da natureza e da sociedade, o que não deve ser confundido com o egoísmo enquanto resíduo da ideologia burguesa, muito menos degenerado em egoísmo nacional.


A luta revolucionária é a mais nobre missão que o homem como tal pode aspirar, porque aqueles que vivem indiferentes da vida social e política - mais importante que a vida física - perdem sua qualidade humana e não são diferem de um animal. Ninguém pode se tornar um revolucionário por interesses materiais e pecuniários. Todos aqueles que são conscientes dos sofrimentos e da exploração de outras pessoas podem tornar-se revolucionários. Somente assim é possível destruir a velha sociedade injusta e corrupta e construir um novo mundo, o mundo socialista.


A Ideia Juche rejeita as teorias que são forjadas por intelectuais acomodados, que não estão em contato com as massas e não são nada mais do que preceitos conceituais, caindo no idealismo e não possuindo conexão com a prática; exposições que utilizam de uma linguagem pomposa, exageradas, e resultam em futilidade porque elas falham em alcançar e mobilizar o coletivo social. Por outro lado, a Ideia Juche surge da luta, a partir das ações independentes e criativas da ação das massas em suas objetivas e subjetivas, internas e externas condições, utiliza a forma de luta que corresponde a correlação de forças em um momento histórico concreto e determinado. Aqui está a eficácia de sua forca transformadora na luta revolucionária, bem como na construção socialista.


Não menos importante é a contribuição do camarada Kim Il Sung à estratégia e tática da revolução nacional e mundial. Desenvolvendo a tese da revolução sucessiva, permanente ou ininterrupta mantida pelos clássicos do Marxismo, ele considerou a revolução não como um estágio isolado e independente, mas um processo que faz da revolução nacional um elo em toda a cadeia da revolução mundial. Em conexão com esses aspectos ele fez grandes contribuições não somente ao problema nacional, mas também à revolução contemporânea.


O camarada Kim Il Sung alertou a geração que não participou a revolução e viveu em paz, especialmente os jovens de alguns países socialistas que, devido a negligência na educação e luta ideológica, foram infectadas com o revisionismo e ideias contra-revolucionárias. Além disso, ele apontou que a tendência de negligenciar o dever do internacionalismo proletário, o que impõe que os países onde o socialismo triunfou têm a obrigação de acelerar a revolução e a vitória do proletariado em todos os países, não tomando os seus problemas sozinhos, ou seja, caindo no egoísmo nacional e na violação dos princípios Leninistas.


No estágio favorável na qual o imperialismo está desmoronando devido as suas contradições incuráveis, discrepâncias entre os países socialistas fizeram um grande estrago no desenvolvimento do socialismo no mundo. Ao contrário, há o exemplo da Coreia onde o socialismo está sendo construído, mantendo uma política independente e criativa, e ao mesmo tempo, profunda solidariedade com todos os países socialistas e movimentos revolucionários no mundo. Tal posição independente e criativa do camarada Kim Il Sung, o grande líder do Partido do Trabalho da Coreia e do povo coreano, permitiu que este exemplar país instasse sobre a necessidade dos grandes países socialistas resolvessem suas diferenças através de profundas e sinceras discussões teóricas, o que abriria um amplo caminho para a revolução socialista no mundo.


Eu não irei abordar sobre a teoria econômica exposta pela Ideia Juche e sua conquista extraordinária neste campo, o que chamou atenção até mesmo de veículos da imprensa como o The New York Times, devido a extrema originalidade de sua política agrícola e industrial, o que permitiu que um país colonial atrasado e devastado pela guerra obtivesse um notável desenvolvimento sem ajuda externa.


Resumindo, a Ideia Juche não é uma teoria distante do Marxismo-Leninismo, mas sim o seu desenvolvimento de um modo criativo.


As leis da dialética materialista nos ensina que tudo está em constante movimento e perpétua mudança. No entanto, o tempo e as características dessas mudanças não são as mesmas e possuem seu próprio modo de expressão em cada sociedade concreta. Este é o ponto em que insiste o Kimilsungismo. A Ideia Juche é a materialização autônoma e apropriada da sociedade coreana e coloca ênfase em sua independência e criatividade. Não é a repercussão, mas o desenvolvimento e compreensão de aspectos que não poderiam ser levantados por Marx, Engels e Lenin, que viveram em épocas distintas. A Ideia Juche é o produto da árdua e prolongada luta revolucionária e é a força que impulsiona esta revolução. Juche é independência em política, auto-suficiência na economia, criação autônoma na educação e na cultura; defesa da personalidade nacional, fé no espírito criativo das massas populares, emancipação material e espiritual da nação que constrói o socialismo graças ao seu próprio esforço.


* Manuel Agustin Aguirre foi um importante educador e jurista, bem como fundador do Partido Socialista Equatoriano. É até hoje considerado um dos principais nomes da esquerda naquele país.


Fonte: Juche Idea - The Current of Thought in the Present Time, 1977, Foreign Language Publishing House, Pyongyang.